IoT na medicina: como a Internet das Coisas avança na área da saúde

O advento do 5G está começando a tornar realidade o verdadeiro potencial transformador da tecnologia inteligente e da Internet das Coisas (IoT). De acordo com um estudo da Juniper Research, o número total de conexões de IoT passará de 35 bilhões em 2020, para 83 bilhões em 2024.

E com a pandemia de Covid-19 em curso, colocando novas demandas na área de saúde e criando a necessidade de soluções médicas que podem fornecer cuidados remotamente, essa evolução não poderia chegar em melhor hora.

O uso de tecnologia inteligente na área de saúde tem avançado constantemente nos últimos anos, colocando dispositivos poderosos como canetas de insulina inteligentes, inaladores conectados, monitores de asma e muitos outros dispositivos nas mãos dos usuários, permitindo que eles gerenciem melhor suas próprias necessidades de saúde, bem como acessem rapidamente a ajuda se algo estiver errado.

Dispositivos vestíveis, ou ‘wearables’, como biossensores e relógios inteligentes também podem permitir que profissionais de saúde monitorem remotamente as condições de seus pacientes e coletem dados, possibilitando que o diagnóstico e o tratamento, que antes só eram possíveis em um ambiente institucional, ocorram a partir de qualquer lugar.

Aqui estão sete exemplos de como dispositivos inteligentes conectados à Internet das Coisas estão facilitando o tratamento médico, prevenindo doenças e auxiliando na saúde.

1. Biossensores vestíveis

Uma valiosa peça de tecnologia que permite a operação de hospitais virtuais e outros tipos de cuidados, prevenção e detecção de doenças, é o biossensor vestível. Estes dispositivos, que são pequenos e leves e podem ser usados ​​no corpo, monitoram os sinais vitais como temperatura, frequência cardíaca e frequência respiratória, fornecendo aos médicos percepções essenciais sobre a progressão ou descoberta precoce de uma doença.

2. Termômetros inteligentes

Em uma das aplicações mais comentadas de IoT durante a pandemia de coronavírus, o fabricante de termômetros inteligentes habilitados para aplicativos, Kinsa, decidiu publicar os dados de sua ‘rede’ de termômetros inteligentes, nos Estados Unidos, na forma de um mapa que mostra aglomerados de altas temperaturas que podem indicar um surto de Covid-19.

Isso demonstrou uma nova aplicação de tecnologia inteligente: ela não só pode oferecer dados e percepções em um nível individual, mas em conjunto, em um nível regional, nacional, ou mesmo global, mostrando tendências e padrões muito mais amplos relacionados à saúde. Embora a Covid-19 não seja a única doença capaz de causar alta temperatura, Kinsa foi capaz de comparar os dados coletados durante o início da Covid-19 com os dados obtidos em anos anteriores, a fim de distinguir os aglomerados causados ​​pelo novo coronavírus dos surtos regulares de gripe e resfriado comum.

3. Inaladores conectados

Os inaladores inteligentes surgiram como uma solução atraente para o monitoramento de pessoas com problemas respiratórios como asma e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica). Estes inaladores conectados – que, como termômetros inteligentes, muitas vezes são acompanhados por um aplicativo – ajudam os pacientes com essas condições a rastrear o uso de medicamentos, oferecendo alertas sonoros e visuais. Os aplicativos de inalação conectados também podem fornecer informações sobre as causas de sintomas, por exemplo, por meio de previsões de alérgenos.

4. Relógios inteligentes

Embora não tenham sido originalmente concebidos como dispositivos médicos, os relógios inteligentes estão se tornando ferramentas de saúde cada vez mais poderosas, graças a uma gama de aplicativos e recursos que foram adicionados a eles por fabricantes como Apple, Google e Samsung.

A Apple, em particular, tem demonstrado consistentemente um compromisso em transformar o Apple Watch em um dispositivo que pode monitorar e ajudar na saúde. Em setembro de 2020, o Apple Watch Series 6 foi lançado com uma nova funcionalidade de medição de oxigênio no sangue.

Desde o lançamento da Série 4, os Apple Watches também podem fazer um ecocardiograma (ECG) usando um sensor cardíaco elétrico e verificar se há um ritmo irregular que pode significar que o usuário tem fibrilação atrial (AFib), uma doença cardíaca que pode levar a complicações como coágulos sanguíneos, derrame e outros problemas relacionados ao coração.

Outros aplicativos de saúde mais simples, mas ainda eficazes, que foram integrados aos smartwatches incluem monitoramento e rastreamento do ciclo do sono, rastreadores de atividades físicas – que podem ajudar a combater o ganho excessivo de peso –, e exercícios de respiração e meditação guiados, que são benéficos para a saúde mental.

Desde o início da pandemia Covid-19, Apple, Google e Samsung também introduziram aplicativos que promovem a higienização regular e completa das mãos.

5. Sistemas automatizados de entrega de insulina (AID)

Os sistemas de entrega automatizada de insulina (AID), também conhecidos como sistemas de entrega de insulina de circuito fechado ou sistemas de pâncreas artificial, são revolucionários para pessoas com diabetes – uma condição que afeta, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, cerca de 8,5% dos adultos em todo o mundo.

Esses sistemas funcionam em conjunto com monitores contínuos de glicose (CGMs): dispositivos que monitoram continuamente os níveis de açúcar no sangue do corpo para determinar a quantidade de insulina necessária. Isso é então administrado por meio de uma bomba de insulina, automaticamente ajustada com base nos níveis de glicose medidos pelo CGM – o que significa que a pessoa é capaz de passar muito mais tempo sem picos graves ou níveis baixos de açúcar no sangue.

6. Hospitais virtuais

Tecnologia inteligente e wearables conectados estão permitindo a criação de hospitais “sem paredes”, nos quais os cuidados ambulatoriais e de longo prazo podem ser prestados remotamente por profissionais de saúde aos pacientes em suas casas, liberando assim leitos para pacientes que precisam de mais tratamento intensivo.

Hospitais virtuais ou enfermarias virtuais já estão sendo testados e operados em alguns países. Em Sydney (Austrália), por exemplo, o RPA Virtual Hospital foi rapidamente adaptado, no início de 2020, para fornecer tratamento remoto para pacientes com sintomas de coronavírus, monitorando-os através de oxímetros de pulso – um pequeno dispositivo usado para medir os níveis de saturação de oxigênio e batimentos cardíacos, além de medição de temperatura corporal. Os dados são transmitidos por meio de um aplicativo instalado nos telefones dos pacientes para a equipe do hospital virtual.

7. Assistência aos idosos

A Internet das Coisas oferece uma série de soluções potenciais para que os idosos possam manter sua independência e, ao mesmo tempo, recebam assistência no caso de uma emergência. Estes recursos foram particularmente valiosos no contexto da pandemia Covid-19, que impediu muitos membros da família de visitar parentes idosos.

A tecnologia disponível varia de pingentes vestíveis, que podem detectar uma queda, até sistemas de monitoramento doméstico mais extensos e sofisticados que aprendem os movimentos e hábitos de um indivíduo e, portanto, são capazes de alertar se houver uma grande mudança ou se nenhum movimento for detectado por um espaço de tempo anormal. Alguns sistemas de monitoramento remoto também são capazes de fazer interface com outros dispositivos de telessaúde, como monitores de pressão arterial, oxímetros de pulso e termômetros.

Para aqueles que desejam uma solução mais simples, existem dispositivos como alto-falantes inteligentes, que também podem ser ferramentas poderosas para ajudar os idosos, por exemplo, configurando lembretes de áudio que os levarão a tomar medicamentos, ou permitindo que eles usem controles de voz para contatar parentes e amigos.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.